sexta-feira, 7 de abril de 2017

Supérfluo

Nada é meu
Nem o sol, nem a terra, nem o fogo tão pouco o ar.
Nem as rizadas, nem as tristezas, nem o melodrama e o lamentar.
Nem a casa, nem as muralhas, nem a comida, nem o fogão
Nem a cama, nem o chuveiro, nem o sofá, nem o chão.
Nada é meu e nada vou levar:
Nem a espada, nem a luta
Nem a guerra, nem a fé
Nem o xaxará de o Omolu
Nem a beleza de Logun Edé.
Nem as rezas católicas
Nem as orações protestantes
Nem os batuques de candomblé
Nenhum colar de Gandhi.
Nem meus livros
Nem minhas crenças
Até minha torre de babel
Jazerá no esquecimento
Desfeita ao vento
Tal qual folha de papel.
Nem a arrogância, nem a benevolência
Nem a tragédia, nem a comédia
Nenhuma das minhas palavras
Livrar-se da perpetua inércia.
Minha doçura, ternura ou brandura
Não herdará o reino da Terra.
Nem lembrança ficará
Pois no fim tudo se encerra.
Pra que amar o ouro?
Pra que se vangloriar?
Na busca da humildade
A transcendência vai brilhar
Cresce o homem e sua alma
Plenitude do estar.
Hoje, hoje
Hoje agora.
Amanhã jamais será.
Nada é meu e nada levo
Nem agonia, nem solidão
Nem amores, nem amados
Muito menos a depressão
Nem amigos, nem namorado
Nem família, nem o ego inflado
Tudo vivo
Vivo então...

Nenhum comentário:

Postar um comentário