Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.
E na calmaria da preguiça jaz a inércia que não te movimentas.
Sou rebelde não pelo desejo da contenda vazia.
Minha rebeldia alimenta a minha existência.
Quem ama não desiste. Nem dos outros, nem de si.
Os mornos paralisam na desistência de cuidar do seu ego.
Apodrecem na amargura de não conseguir dialogar com a complexidade do mundo.
Eis os tormentos da minha alma que me apavoram.
Também são estes que me tiram do lugar de conforto.
Batem na minha cara para me despertar e eu revido.
Não quero apanhar da vida e me aquietar.
Labuto para aprender a aprender e praticar o que aprendi.
Desejo executar bem a minha obra.
Sem ser mais um sendo menos um a cada instante.
Sendo morno me consumiria na dor, em silêncio inoportuno.
Sem os conflitos não conseguiria enxergar a felicidade no simples.
A tormenta me sacode para eu me perceber então.
Estive quente. Estive frio. Ontem eu estava frio. Hoje estou quente.
Recuso-me a permanecer no meio desequilibrado.
Não falo, pois, do meio temperado.
Falo do meio morno. Que não cheira, nem fede. Não retrocede, nem avança.
Não é homem, nem velho, tão pouco criança.
Conhece pouco ou nada de si.
E por isso não se movimenta no espaço, no corpo, no espírito, nem na alma.
Não constrói a sua falta no âmago do outro.
Morno por conforto.
Morno por inércia.
Morno para dizer à vida que ela é que deve tomar a direção e o rumo.
E se ela te coloca no abismo o que se faz?
Se joga ou vai embora?
Ou por autopunição permanece olhando das alturas eternamente para o precipício?
A vida é muito curta para ser pequena.
Morno: não interfere, interage ou modifica.
Por que ser então?
Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.
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