terça-feira, 23 de junho de 2015

Eu-gaiola

Na gaiola estavam presos meus medos:
Abrir a portinha
Eles voaram para perto.
Longe estão minhas verdades.
Não destruir minha gaiola
Nem joguei fora meus medos.
Eles têm essa morada
Toda vez que as verdades rígidas quiserem se aproximar.
Os medos voltam à gaiola
Cantam alto
Espantam as verdades rígidas
E saem - a portinha sempre está aberta.
Gaiola boa não prende, nem é abrigo
O perigo é fechar a portinha dela
E eu preso fugir de mim
.

terça-feira, 16 de junho de 2015

APOCALIPSE NOT



Não quero voltar. Não quero voltar agora. Já não sei tudo valeu a pena. Já não sei se minha passagem foi pequena e insuficiente. Meu sofrimento por vós se corrompeu. Agora se torna justificativa para sacrificar o outro; invalidado estar o meu sacrifício.

Aonde errei em meus passos? Que cura eu não fiz que não pudesse ser tomada como exemplo para que vós também utilizásseis do meu nome para curar? Que amor eu não preguei para que meu amor tu não pudesse multiplicar? Que dor eu não sofri para que teus olhos de tristeza não pudessem transbordar?

Jazo em plena psicanálise. Entreguei meus pensamentos a Sigmund Freud. Preciso mergulhar na minha subjetividade para descobrir quais dos tropeços dados na via-crúcis desviaram o caminho que tracei para a humanidade. Preciso conversar com o Pai. Há uma pane na configuração da escuta dos filhos de Eva. Se de amor contaminei-os por excesso, algum dos vendedores não recebeu a devida chicotada.

Eles não corrompem a filosofia de Gandhi. Não destroem os mantras de Buda. Não se distorce as lições de Irmã Dulce. Se o fazem não o fazem com a mesma proporção de quem alteram os meus ensinamentos. Há uma relação entre guerra e paz. Entretanto jamais fui um homem de fomentar guerra. Tão pouco desprestigiei a paz. Foi o amor que norteou a minha palavra, o perdão pedra fundamental para transcender a vida, a ternura reforça que somos a imagem e semelhança Deus.

Lembro-me do peso multiplicado do meu corpo. Lembro-me da textura da madeira. Lembro-me da lança afiada e das chicotadas. O chão com meu sangue foi lavado. O mar com minhas lágrimas foi salgado. Nenhum animal será sacrificado. Nenhum homem será atormentado. Todo ser humano merece ser amado. Antes de vomitar meu nome, lembre-se das minhas dores, das minhas ações, das minhas recomendações. Seja verdadeiro consigo, comigo e com a multidão.

Preciso então que você mate teu diabo. Apague as chamas e feche as portas do teu inferno. Já não quero ouvir lamentações sobre tudo aquilo que faz sofrer e que eu nunca fiz existir. Tranquei a besta em um porão do esquecimento. Não vou voltar até vocês aprenderem a lição. Todos imundos e encardidos, em pleno exercício da misericórdia, precisam urgentemente, não mais na fé, mas na prática serem irmãos. Do céu não cairá fogo. A terra não inundará. No coração dos poetas, loucos e dançarinos um rosa nascerá. Estar cancelado o apocalipse, até terceira opinião. Preciso que a humanidade por si só brilhe- vamos levar luz à escuridão.


 O mundo não vai acabar, renascerá no fim do arco-íris, na primavera mais linda, ali pertinho do Japão.