Uma parte significativa dos cristãos não está pensando prioritariamente na sua espiritualidade, tão pouco na filosofia de existência proposta por Jesus. Eles estão preocupados em sustentar o falso poder que a bíblia sagrada, em recortes que contemplam seus interesses, pode lhe conceder.
Jesus não está em segundo plano. Jesus simplesmente não está.
Um sujeito que lê atentamente o evangelho compreende a distância entre o discurso de Cristo e aquilo que vem sendo propagado pelos seus ditos fiéis na contemporaneidade. Jesus não deveria ser uma palavra, mas um modo de ser/existir. A grande contradição desses cristãos é o desencontro entre a organização prática daquilo proposto por Cristo e suas atitudes que distorcem os seus principais ensinamento em função da manutenção de poderes.
A bíblia não é mais o livro sagrado. A bíblia há tempos vem perdendo a sua função sacral e passando a ser um livro de legitimidade de discursos, ainda que sua interpretação seja permeada por visões completamente distorcidas. Ela não é mais a palavra de Deus. Ela é a palavra do poder. O poder não é Deus. O poder tem que ser o discurso legitimado. Deus é apenas uma representação do poder (obtido ou que quer ser obtido) neste contexto.
Quanto mais condensado em uma reprodução de pensamento mais manipulado o sujeito pode ser. Assim sendo, a ideia de que o tempo e o espaço já são elementos que transformaram e permanece transformando o cristianismo é impensável - para os fieis menos atentos. Os manipuladores, entretanto, sabem bem disso e é com essa consciência que eles manipulam. A ideia sublimada é desnutrir toda filosofia religiosa que Jesus propõe em profundidade e alimentar uma filosofia religiosa que utilize o sagrado como meio de fortalecer discursos que, sendo justificados por uma origem sagrada, não podem (nessa perspectiva) ser questionados por seus fieis e se estabelece como barreiras às críticas exógenas.
Os bons Cristãos atentos precisam analisar a maneira como sua religião/religiosidade está sendo encaminhada e propor outros modos de se organizar em comunidade e burlar aqueles que estão matando a Jesus sem cruz, sem justiça, nem piedade.
