
Minha
vida é quase perfeita. Eis aqui o Dr. Sergio: um dos mais respeitados advogados
de Salvador. Apesar de atrair a atenção das mulheres não dou muita bola para as
oferecidas. Sou casado e bem casado com a bela é Mariana.
No
carnaval de 2009 estava eu e meu grande amigo, o Henrique, no Bloco Camaleão, uma
maravilha! Em meio ao pula-pula eletrizante da festa me bati com a negra de cor
de jabuticaba. Nossos olhares se cruzaram. Coloquei meu colar de Gandhi em seu
pescoço e a agarrei dando-lhe um gostoso beijo. Apaixonei-me por aquela mulher
em pleno carnaval. Meu amigo Henrique pegou no meu pé, pois carnaval é tido
como uma festa para curti e não para se apaixonar. Só que para o amor não há ocasião
certa. Ficamos juntos durante os outros dois dias que faltavam para acabar a
festa. Ligávamos um para o outro a todo o momento. Tive medo de a gata morar em
outra cidade ou em outro ou Estado. Mas não. Ela era soteropolitana! Poderíamos,
então, desenvolver o relacionamento.
O carnaval passou. Flertarmos durante um bom
tempo. A pedir em namoro. Dois meses depois já morávamos praticamente juntos. Após
cinco meses de convivência casamos.
O
Henrique, aquele que me chacoteou por eu ter passado todo o carnaval com
Mariana, acabou sendo também o padrinho do meu casamento. Um cara muito legal,
companheiro, fiel, nunca tivemos uma briga séria. Ele sempre esteve presente
nos grandes, pequenos, alegres e turbulentos momentos da minha vida. Conheci
Henrique ainda garoto, com treze anos. Ele era mais novo. Eu morava em Brotas e
aquele novo amigo chegara de Santo Antônio de Jesus, pois seu pai conseguira um
novo emprego na capital baiana. Morávamos no mesmo prédio, seu pai ficou amigo
do meu, e sempre jogavam xadrez juntos. Ele sempre acompanhava o seu velho, mas
da mesma forma que eu, não tinha ainda paciência para o complexo jogo de
adultos. Jogávamos vídeo game a noite toda. Nunca fui de muitos amigos. A
amizade de Henrique era suficiente. Crescemos juntos e passamos a estudar na
mesma escola. Brigávamos um pelo outro – e olhe que não foram poucas as brigas.
Até que depois do ensino médio, demos uma separada: eu fui cursar direito e o
Henrique foi fazer engenharia civil. Nós nos víamos em alguns finais de semana.
Depois da tempestade da graduação podemos nos encontrar algumas vezes.
Henrique
é elegante, boa pinta e sempre fora um garanhão. Há um tempo arranjou uma
namoradinha que frequentava a minha casa. A garota até ficou amiga de Mariana,
mas o relacionamento dela com o Henrique acabou; traição, por parte dele, é
claro! Ele, depois de um preconceituoso distanciamento, se aproximando de
Mariana.
Ontem
cheguei em casa e como sempre dei um beijo na minha companheira. Ela retribuiu,
mas os seus lábios tinham um sabor diferente. Sabor de mistério. Perguntei se
estava acontecendo algo errado e a mesma apenas disse que sentia um pouco de
dor de cabeça. Mal estar repentino de mulher é sinal que alguma coisa errada
paira pelo ar. Elas sempre escondem a verdade na dor. Acredito que a dor que muitas
sentem é resultado do acúmulo de mentiras que ainda não foram externadas.
Reforcei a pergunta: “está acontecendo alguma coisa?” Mariana disse que não.
Mudou o seu tom frio para outro mais receptivo. Disse-me sorrindo: “vá tomar
bando amor, fiz um jantar maravilhoso”. Dei outro beijo nela e fui para o banho,
lá comecei a pensar na sua recepção nada calorosa. Marina sempre me acolhia
muito bem. Nunca sentir tal frieza. Por outro lado, se ela estivesse com algo
lhe afligindo certamente diria: minha esposa nunca foi de segredinhos.
Jantamos. A comida de
fato estava deliciosa. Conversamos sobre diversos assuntos e o astral da minha
amada já mudara. No entanto, seu sorriso, em alguns momentos, saia um tanto
forçado. Acabamos de janta e fomos para o quarto. Deitamos, ligamos a TV e ela pois
a cabeça sobre o meu peito. Falamos sobre algumas coisas do nosso dia-a-dia. depois,
relaxados, fiz novamente a pergunta: “amor eu te conheço, percebi pelo seu
jeito que estar acontecendo alguma coisa errada ou que está lhe incomodando, por
favor, fale o que é!” Marina respirou fundo e disse: “ desculpe amor, eu não
consigo esconder nada de você mesmo. Está bem, eu vou falar...”
Eu a olhei e reforcei que
ela poderia falar sem medo. Mariana continuou: “sabe... eu estou ha algum tempo
em casa, sem trabalhar... sou formada em enfermagem, deixei meu emprego para
organizar a nossa vida de casados, mas...”. Olhei atentamente para suas pupilas
e a confortei: “isso não é problema algum. Você não precisa trabalhar. Estar
aqui cuidando da casa e se preparando para em breve ser a mãe de nossos filhos
e...” Marina me interrompeu: “eu sei, mas isso me frustra um pouco. Vejo minhas
amigas todas trabalhando...”.
Ela
estava incomodada em ficar em casa na inércia. Conseguiu um emprego em uma
clínica médica. Eu hesitei bastante com a ideia dela voltar a trabalhar. Já
estava acostumado com a sua presença diária e com os cuidados que tinha comigo
e com a casa. No entanto eu não podia agir como um machista, idiota, arcaico.
Disse a Mari que poderia ir, mas que sentiria por não tê-la constantemente.
Resolvemos que contrataríamos uma diarista para fazer as atividades domésticas.
Tudo resolvidos vir o seu semblante de felicidade. Foi o suficiente para nos
rolarmos em uma gostosa noite de amor...
Seguimos
os dias plenamente felizes. Acabei me acostumando com a ideia de Mariana Trabalhar.
Só que tal felicidade não duraria muito tempo. Mariana começou a ter horários
diferentes no seu trabalho. Não trabalhava mais pela manha, sempre era à tarde
e às vezes à noite. Desconfiei da minha esposa. Ela parecia normal. Eu sempre
perguntava, disfarçadamente, sobre os horários no que ela respondia: “coisas do
trabalho amor”, “tive que cobrir o horário de uma colega”, “o médico resolveu
atender até tarde”. A ideia de que Mariana poderia estar fazendo algo errado
começou a se fortalecer na minha mente. Seus horários ficaram cada vez mais
tardes. Resolvi que deveria contratar um detetive para segui-la. Procurei um no
jornal. Achei. Liguei para o mesmo. Ele disse que o serviço duraria um tempo
indeterminado, pois nem sempre na primeira busca encontraria algum fato
incriminador. Teria que ficar atrás da minha esposa durante, pelo menos, uma semana.
Meu coração acelerou quando ele disse, após eu ter contado o que estava
acontecendo, que pela sua experiência, de fato, algo negativo poderia estar
acontecendo. Eu não admitiria uma traição. Eu, um homem procurado por muitas
mulheres, nunca a trair. Não sei o que eu faria se Mariana estivesse... Fui até
o escritório do detetive e pedi que ele iniciasse as investigações.
Passaram-se
quatro dias. O detetive ligou. Pediu que eu me dirigisse ao seu escritório,
pois tinha novidades. Fui ao seu encontro. Ele me recebeu com um olhar de
piedade que deu até medo. Falou, com muita precaução na voz, e entregando um
envelope, que minhas suspeitas estavam, enfim, confirmadas. Fiquei trêmulo.
Sentei no sofá do escritório. Ele disse que as fotos estavam dentro do envelope.
Encontrara Mariana com um homem entrando num motel luxuoso. Rasguei o envelope
com grande raiva. Não acreditei no que meus olhos presenciaram. A punhalada era
dupla. Mariana estava abraçada com ele. Ele que eu jamais pensaria. O meu
melhor amigo: o Henrique! Chorei desesperadamente. O detetive pediu calma e
deu-me um copo com água. Depois de algum tempo de lamentações, respirei. Paguei
o detetive pelos seus serviços e pedi ao mesmo o endereço do motel. Aquilo não
poderia ficar assim.
Voltei
para casa tentando disfarçar a dor da punhalada que acabara de receber. Minha
esposa e o meu melhor amigo, meu irmão, me traíram. Não faria nada de imediato;
queria ganhar tempo para resolver aquela situação de forma que ambos pagassem
pela dor que eu estava sentindo. Disfarcei com muita força: a vida seguiria,
com beijos, sexo e juras ainda mais ardentes.
Passaram-se
15 dias da descoberta. Segui algumas vezes a Mariana e guardei o horário dos
encontros. Eram duas ou três vezes na semana notando que a sexta-feira era
sagrada. Chegara à sexta-feira do seu encontro. Segui todo o percurso de
Mariana.
Mariana
saiu do trabalho ás 17 horas, sendo que ela tinha me dito que só sairia ás 20h30min.
Passou em uma loja, comprou um belo vestido e seguiu em direção ao motel na
Barra. Eu a olhava com sorriso entre os lábios. Mariana parou o carro em frente
ao estabelecimento. O recepcionista lhe deu uma chave. Certamente, o amante já
estava a sua espera. Passaram-se 13 minutos. Esperei mais um pouco. De repente chegou duas viaturas. Fiquei
assustado. O que estava acontecendo? Os policiais entraram no motel. Depois de algum tempo Mariana era trazida por
uma PM que a colocou no camburão. Olhei atentamente para tudo. O camburão, onde
Mariana estava, seguiu para delegacia e eu fiz o mesmo.
Chegado à delegacia, Mariana sai do carro
chorando muito. Demorou mais algum tempo e meu telefone tocou: era ela. Disse
para eu ir ao seu encontro, pois a mesma estava presa. Dei um tempo, saí do
carro e fui até ela. O delegado era um conhecido meu. Disse-me o que estava
acontecendo: “Me desculpe pela notícia Dr. Sergio, mas... sua mulher está
presa. Ela está sendo acusada de matar o amante enforcado no motel.” Fiquei
paralisado. Olhei chocado para delegado e disse: “avise a Mariana que venho
vê-la amanhã”. Sai do local com as emoções confusas.
Noutro
dia fui ver Mariana. O delegado levou-me ao seu encontro. A mesma já estava em
uma sala reservada para a nossa conversa. Ele nos deixou a sós. Ao me ver a assassina me abraçou pedindo
perdão. Eu a afaste e dei-lhe uma bofetada. Mariana caiu sobre a mesinha da
sala. Esbravejei: “sente aí!” Ela, ainda assustada por causa do bofetão
recebido, sentou e me olhou. Tornei-me, aos seus olhos, um desconhecido.
Perguntei: “Por quê? Por que tudo isso? Por que me traiu? Por que tinha que ser
justamente com o Henrique?” Com o impulso advindo da raiva, pela bofetada que
eu lhe dei, a ordinária soltou com força o que eu tanto pedir para ouvir:
“Quando
me encontrei contigo no carnaval, antes já tinha beijado o Henrique. Foi algo
rápido. Depois te vir. Te achei um gato e o beijei. Coincidentemente ele era
seu amigo. Não gostou da minha aproximação, mas eu não liguei: estávamos em um
carnaval, não devia satisfação a ele. Eu gostei de você. Ficamos juntos durante
toda a festa. Permanecendo a paixão, namoramos e casamos. Mas durante o nosso
tempo de namoro eu fui atrás dele. Me aproximei e o atraí para minha teia. Eu
gosto de você, mas sentia um forte tesão pelo Henrique. Ele hesitou. Um dia
fiquei nua em sua frente. E, então, ele se entregou à mim. Me comeu com força e
a parti daquele momento formamos uma pacto sexual, sem nenhum envolvimento de emoções
complexas. Os encontros, no começo, eram ocasionais. Eu queria mais e ele
igualmente. Henrique conseguiu um trabalho para mim na clínica de um amigo. Eu
ia para lá, ficava o horário normal e fazia hora extra no motel. Foi maravilhoso
durante todo esse tempo.”
Mariana chorou,
respirou fundo e continuou:
“Ontem,
quando fui ao encontro do Henrique, ao entrar no quarto, já o encontrei morto.
Ele estava pendurado em uma corda feita com os lençóis da cama, uma cena
terrível! O pescoço estava quebrado e sua cara dizia que tinha sofrido bastante
antes de morrer. Eu sei que você não pode acreditar, mas não fui eu que o
matei. Sei também que estar com raiva de nós dois. Sim! Fui eu que fiz toda
essa história se desenvolver dessa forma. Eu sou a culpada de tudo. Ele sempre
falava de você. Falava da sua amizade, da sua companhia; eu me sentia um pouco
mal por isso. Não tão mal a ponto de interromper o nosso caso. Quero também
descobrir quem o matou. Essa culpa eu não posso carregar comigo. Eu juro não fui
eu! Não fui eu que o matei.”
Eu
olhei para a cara chorosa de Mariana. Aquela mulher que um dia eu jurei amor
eterno no altar. Só que não sentia pena dela, pelo contrário, comecei a soltar
um leve sorriso que, aos poucos, foi se abrindo mais, até eu dá uma gostosa
gargalhada. Ela olhou para mim com cara de quem não estar entendendo nada. A
encarei atentamente. Interrompi o meu riso desenfreado e comecei a revelar a
minha verdade:
“Meu
anjo é extraordinário, mas meu demônio é melhor ainda. Quando conheci o
Henrique, na época em que o seu pai jogava xadrez com o meu, apaixonei-me por
ele no momento em que o vir. Eu era um pouco mais velho, mas o suficientemente
atrevido para atraí-lo para meus interesses. Virei seu melhor amigo, sempre me
insinuava e ele, por sua vez, retribuía, ainda com vergonha das minhas
‘indecências’. Passado algum tempo, quando tínhamos entre 15 e 17 anos, trocamos
um beijo. Eu aproveitei a saída do meu pai, o tranquei no meu quarto, joguei-o
na minha cama e tivemos, então, a nossa primeira noite de amor. O nosso romance
durou até depois do ensino médio. Brigamos por causa de um envolvimento dele
com uma garota que era da nossa classe. Veio a faculdade, cada qual foi para
seu lado. Estávamos magoados, mas terminado a época de estudos, as mágoas já
estavam secas: resolvemos reatar o romance.”
Mariana congelou. Eu me
levantei e continuei revelando a minha história:
“Eu sempre quis ser um cara respeitado
socialmente e bem posicionado. Resolvemos, então, que a nossa relação deveria
manter-se, por segurança, sempre secreta. Cada um teria que arranjar uma
namorada e quem sabe até casar-se. Naquele carnaval nós estávamos juntos,
curtindo a festa tranquilamente. Ele ficou com você e eu vi tudo de longe. Ele
veio até mim e falou de você, disse para eu me aproximar, pois você parecia ser
uma moça interessante para um relacionamento de reconhecimento social. Segui o conselho
do Henrique. Me ‘esbarrei’ contigo. Apaixonei-me. Uma falsa paixão: é claro!
Paixão que tinha por objetivo arranjar uma mulher apresentável. O plano
culminou no nosso casamento. Legal até certo ponto, mas mera estratégia de
marketing. Como poderia um grande advogado como eu ficar solteiro?”
Olhei bem nos seus
olhos e continuei:
“Durante todo esse tempo eu e o Henrique
estávamos juntos, nos amando, planejando até uma mudança de país depois da
minha aposentadoria. Iríamos para um lugar onde as pessoas aceitassem o nosso
amor de forma mais tranquila. Só que ele começou a ficar estranho e você
também. Passei a desconfiar que algo estivesse errado. Como os meus encontros
com o Henrique estavam cada vez mais difíceis, por causa do meu trabalho,
tornou-se complicado descobrir o que estava acontecendo com ele, mas com você era
muito mais fácil. De alguma forma compreendi que descobrindo o que você estava
fazendo eu descobriria o que estava acontecendo também com ele. Contratei um
detetive que te seguiu durante alguns dias e que revelou, após algumas buscas, a
traição de vocês. Resolvi que isso não ficaria assim. Como poderia uma
ordinária que eu pus na minha casa querer roubar o homem que eu conquistei
desde a minha infância? Henrique era o amor da minha vida. Não admitiria que
nenhuma pessoa se intrometesse na nossa história. O distanciamento que ele
tinha comigo agora estava justificado: ele não queria só sexo com você, ele
estava te amando.
Mas
eu não permitiria: marquei os horários dos seus encontros. Escolhi o dia de
ontem. Consegui o contato de um trabalhador do motel que me deu algumas dicas.
Disse qual era o quarto que vocês costumavam ficar. Ele chegou de carro, entrou
no motel e foi para o tal quarto. Eu entrei com meu carro em seguida e fui para
um quarto que era ao lado do dele. Demorado algum tempo eu invadi o seu recinto.
Ele, por um momento, assustou-se quando me viu. Fez ar de quem não sabia de
nada, mas eu esclareci toda a história. Disse ao Henrique que eu não me
importaria que ele fizesse sexo com outras pessoas, mas ele, naquele momento,
deveria se entregar a mim. O seu último gozo seria meu. Hesitou, mas nos amamos
rapidamente. Peguei o vinho que estava no gelo, entreguei um copo para ele. Ele
bebeu... Começou a sentir uma grande falta de ar que foi aumentando aos poucos.”
“Peguei os lençóis da
cama, fiz uma Tereza. Ele estava desfalecendo, adiantei o meu serviço: amarrei
a corda de lençóis no seu pescoço, segurei o seu corpo, joguei a corda por
entre uma viga grossa de madeira que sustentava o teto do local. Puxei, pelo
outro lado. A cada puxada que eu dava sentia seu corpo sendo esticado e
detonado pela falta de respiração que aumentava por causa do veneno e da corda
de lençóis que o sufocava ainda mais. Enlacei-a na cabeceira da cama e fui ver,
chorando muito e com uma mistura de ódio e satisfação que dominava o meu corpo,
a cena que eu compus. Olhei-o, ele devolvia o olhar com ar de quem não sabia o
porquê de tamanha vingança. resolvi explicar:”
“Você jamais deveria ter traído o meu amor. Eu
aceitei que você transasse com outras pessoas, mas seu amor deveria ser só meu!
E se ele não pode ser meu, não poderá ser também de ninguém.”
Uma última lágrima saiu dos olhos de Henrique.
Ele, logo após, desfaleceu. Limpei toda a cena. Levei álcool e retirei minhas
digitais. Vir se tinha algo que me incriminasse. E o melhor: peguei alguns fios
de cabelos teus, de uma escova que estava lá em casa, e joguei sobre o corpo
dele. Um dos copos que estava com o veneno foi o que você tinha utilizado no
nosso jantar no dia anterior. Fiz tudo de forma que a cena do crime te culpasse.
O meu grande amor se foi e você não serve mais para mim. Sei que não abrirá a
boca sobre o ocorrido para ninguém. Com isso garantirá a sua boa estadia no
presídio e vida longa a sua família. Lembre-se: agora você não tem mais
dinheiro, é uma miserável!
Mariana chorou com desespero
e raiva. Eu sair da sala. Bati a porta com força. Deixei ela se afogar na
tempestade dos que desafiam os mansos.