Não
quero voltar. Não quero voltar agora. Já não sei tudo valeu a pena. Já não sei
se minha passagem foi pequena e insuficiente. Meu sofrimento por vós se corrompeu.
Agora se torna justificativa para sacrificar o outro; invalidado estar o meu
sacrifício.
Aonde
errei em meus passos? Que cura eu não fiz que não pudesse ser tomada como
exemplo para que vós também utilizásseis do meu nome para curar? Que amor eu
não preguei para que meu amor tu não pudesse multiplicar? Que dor eu não sofri
para que teus olhos de tristeza não pudessem transbordar?
Jazo
em plena psicanálise. Entreguei meus pensamentos a Sigmund Freud. Preciso
mergulhar na minha subjetividade para descobrir quais dos tropeços dados na
via-crúcis desviaram o caminho que tracei para a humanidade. Preciso conversar
com o Pai. Há uma pane na configuração da escuta dos filhos de Eva. Se de amor
contaminei-os por excesso, algum dos vendedores não recebeu a devida chicotada.
Eles
não corrompem a filosofia de Gandhi. Não destroem os mantras de Buda. Não se distorce
as lições de Irmã Dulce. Se o fazem não o fazem com a mesma proporção de quem alteram
os meus ensinamentos. Há uma relação entre guerra e paz. Entretanto jamais fui
um homem de fomentar guerra. Tão pouco desprestigiei a paz. Foi o amor que
norteou a minha palavra, o perdão pedra fundamental para transcender a vida, a
ternura reforça que somos a imagem e semelhança Deus.
Lembro-me
do peso multiplicado do meu corpo. Lembro-me da textura da madeira. Lembro-me
da lança afiada e das chicotadas. O chão com meu sangue foi lavado. O mar com
minhas lágrimas foi salgado. Nenhum animal será sacrificado. Nenhum homem será
atormentado. Todo ser humano merece ser amado. Antes de vomitar meu nome,
lembre-se das minhas dores, das minhas ações, das minhas recomendações. Seja
verdadeiro consigo, comigo e com a multidão.
Preciso
então que você mate teu diabo. Apague as chamas e feche as portas do teu inferno.
Já não quero ouvir lamentações sobre tudo aquilo que faz sofrer e que eu nunca
fiz existir. Tranquei a besta em um porão do esquecimento. Não vou voltar até
vocês aprenderem a lição. Todos imundos e encardidos, em pleno exercício da misericórdia,
precisam urgentemente, não mais na fé, mas na prática serem irmãos. Do céu não
cairá fogo. A terra não inundará. No coração dos poetas, loucos e dançarinos um
rosa nascerá. Estar cancelado o apocalipse, até terceira opinião. Preciso que a
humanidade por si só brilhe- vamos levar luz à escuridão.
O mundo não vai acabar, renascerá no fim do arco-íris,
na primavera mais linda, ali pertinho do Japão.

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