quinta-feira, 16 de março de 2017

Palavras não são rasas. Rasas são as pessoas.


Quando não nos atentamos ao significado complexo que uma palavra possui corremos sério risco de fazer mal uso dela. As palavras ditas se esvaziam, se confundem, se perdem. Amor se confunde com gostar. Respeito vira sinônimo de tolerância. Humildade soa como subalternidade. O cuidado fica pesado. A gratidão passa a ser devoção. Troca-se desculpas por perdão.
Existem palavras usadas de forma usurpadora. Tomam descaradamente o lugar de outras.
Há também aquelas que são esvaziadas. Compreendemos seu significado real, em letras e dicionários. Mas não compreendemos a força que estas possuem. Algumas deveriam ter uso limitado por tal preciosidade. Se muito nos servimos elas se desvalorizam; ao invés de ouro em pó, vira areia. Quem recebe não sente sua potência.
João recebeu um tapa na cara...
Desculpa!
Ofereceu o lado direito...
Desculpa!
O lado esquerdo...
Desculpa!
Todo o corpo...
Desculpa!
Resolveu enfrentar...
Perdão!
Outras palavras só me servem para além do dizer. Ganham força em verbo.
Beijo é pra ser dado. Abraço é pra ser apertado. Carinho é para ser sentido. Massagem é no músculo. Sexo é pra ser praticado. Comida é pra ser... comida!
Aqui não me desdobro sobre economia das palavras. Reflito sobre como não as tratamos, tantas vezes, com o devido respeito. Algumas, ao contrário das que se desvalorizam pela razoabilidade das pessoas, se nutrem dos bons corações. Quanto mais usadas mais aquece a alma daqueles que as desfrutam.
Bom dia!
Te amo!
Obrigado!
Estou com saudades!
É preciso conhecer o que se diz, porque diz e para quem diz.
Revise-se!
É preciso se conhecer de tal forma que o que for dito, o porquê é dito e para quem for dito seja emitido com a verdade de palavras não-suicidas.
Bendita sejam as pessoas para quem bem ditas sejam as palavras!

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